Paulo Carvalho lança seu terceiro disco, “Carvão”, produzido por Kassim com arranjos do maestro Arthur Verocai

 

Em tempos onde a ironia virou um estilo de vida e a arte se identifica com a rispidez que precisamos vestir para sobreviver, o compositor Paulo Carvalho mira contra a maré e aposta alto na sinceridade. Como se apresentasse um antídoto para o ethos autodefensivo de nossa época, Carvalho alia letras diretas com a amplitude oceânica das cordas de Verocai, criando um disco franco sobre perda, recomeço e impermanência. O depois do fim do amor que queima até virar carvão.

 

Se viver ironicamente é esconder-se em público, Carvalho aqui faz o contrário, exibe-se com a coragem do náufrago que perdeu tudo e sobreviveu para contar: “O que é maior eu aprendi / Só se constrói depois do fim.” O cantor soa vulnerável e despido, e por isso forte – ainda mais ao levitar sempre no centro das texturas harmônicas tecidas pelas cordas de Arthur Verocai.

 

Entre a densa orquestração e a temática intimista, “Carvão” tampouco tem medo de soar despudoradamente grandioso. Quando a convenção radiofônica aponta para bases eletrônicas minimalistas e o cool para a estética lo-fi de gravações caseiras, o disco conta com a participação de cerca de cinquenta músicos – apenas em “Qual o porquê?” há uma sessão com trinta instrumentos de corda. O resultado é uma massa sonora que evoca imensidão e delicadeza, como numa paisagem do pintor britânico William Turner.

 

Se o big-bang de “Carvão” está nas canções de Newton Mendonça e Tom Jobim, onde o popular e o sinfônico se unem em síntese, aqui vemos a atualização e a abertura desse modelo em tons mais contemporâneos. Como Carvalho canta em “Falso sorrir”: “Não desejo um padrão normal / Pra viver um amor banal.” Dessa forma, o disco acaba trazendo um panorama sutil do que são as relações na segunda década do século XXI - segundo o compositor em entrevista, “um ganha e perde sem fim, onde você mais perde do que ganha, mas que abre porta para pensar novos modelos de estar com o outro.”

 

E esse novo é agora. Entre a angústia singela de esperar por alguém com o celular fora de cobertura ao amor que já não precisa mais ser “amado”, as canções de “Carvão”, compostas em parceria com nomes como Arnaldo Antunes, André Lima, Bruno Morais e Marcelo Jeneci, apontam com inegável apelo pop para um presente que merece ser vivido de peito aberto com todos os seus tropeços, ao celebrar a “doce solidão” ou confessar que “vale chorar por alguém” - aqui, sem traço de ressentimento ou melodrama.

 

O disco foi composto e será lançado simultaneamente ao livro de poesias “Quintal” (Ed. Laranja Original), com o qual forma um díptico sobre perda e renascimento, convidando a uma reflexão sobre o potencial de liberdade presente em cada uma das mortes que atravessamos ao longo da vida. Mas essa contemplação aqui é leve e festiva, o carvão encontrado no quintal de Carvalho tem em sí potência de vida - pode queimar e se transformar em brasa, energia ou, conforme a crença popular, em diamante. (J.P. Cuenca)

CD Carvão

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