Assim, de repente, Contraste da América: Antologia de Poesia Brasileira, um livro com 41 poetas vivos, latinos de língua portuguesa, a miscigenagem em estado de utopia. Se o Brasil vive a gênese de um Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, eis a América em português. Portanto, Zut! A poesia como mandrágora para que os
mundos vibrem com a nossa língua brasileira – afinal, qualquer língua vai além do seu léxico – e o nosso latim em metamorfose.
Antes pesquisei e organizei antologias publicadas no Brasil, a exemplo de o achamento de Portugal e Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética, distribuídas, a partir da América, aos países de língua portuguesa, Europa, África, Ásia, sempre em busca de espaço para a reflexão entre
poetas e poéticas, língua e linguagem, e tudo que expande a
geografia da poíesis.
Contraste da América: Antologia de Poesia Brasileira, antes mesmo de ser um livro, é uma constelação de diferenças, a começar pelos nomes, esses bardos – como é bonita a palavra bardo! e como ninguém mais quer falar bardo – talvez, como a criança que pergunta o que é a relva, se inspirem na própria vida para escrever aquilo que se perde enquanto se escreve.
A palavra “inspiração”, especialmente, no Brasil, depois da ascensão das vanguardas, virou a queda no abismo. Mas viva a liberdade e sua alquimia. Contemplem o arco-íris, escrevam as suas cores, caso consigam! Eu, contudo, penso que a arte nasce da natureza, naturalmente, feito água, por exemplo. Assim, é preciso viver com o coração para, então, revelar através do corpo
o espírito da poesia.

Sim, eu acredito que é preciso ler Contraste da América: Antologia de Poesia Brasileira como quem não quer ler, mas, lentamente, ler como quem deseja, ardentemente, encontrar a estrela da esperança. Afinal, a estrela que cintila em Taurus é a mesma que cintila na minha infância, onde meu pai me ensinou não apenas a ver estrelas, mas a imaginar a Via Láctea para dormir.
Portanto, mais que entender as letras, vamos imaginar esses poetas e seus poemas, como se Contraste da América: Antologia de Poesia Brasileira fosse escrito por todos nós, árvores de um livro eivado de pássaros.
Hoje, aqui na América do Sul, enquanto o Brasil se dissolve entre a realidade e a esperança, gente como eles, um mantra – Ademir Demarchi, Aidenor Aires, Anelito de Oliveira, Antonio Miranda, Bianka de Andrade Silva, Bruna Kalil Othero, Camila Ribeiro, Celso de Alencar, Claudio Willer, Cristiane Grando, Daniel
Osiecki, Demetrios Galvão, Diego Vinhas, Edson Cruz, Eduardo Lacerda, Felipe Teodoro, Floriano Martins, Francesco Napoli, Gabriel Kolyniak, Geruza Zelnys, Helena Soares, Jairo Pereira, Júlia Vita, Lou Albergaria, Lucas Guimaraens, Lucas Viriato, Lúcio Autran, Luiz de Aquino, Luiz Edmundo Alves, Marcelo Ariel, Marco Aurélio de Souza, Micheliny Verunschk, Miguel Jubé, Reynaldo Bessa, Salomão Sousa, Seraphim Pietroforte, Tarso de Melo, Vanderley Mendonça, Vera Casa Nova, Vinícius Lima, Waldo Motta – escreve poesia, um beijo ao vento.
– Poetas, mirem o Sol!
Djami Sezostre

Contraste da América - Antologia de poesia brasileira - Org: Djami Sezostre

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