Elétrico 28 e minhas incursões por Lisboa

September 18, 2017

 

Elétrico, o 28 me recebe trigueiro, como amigo distante que esperava a minha chegada. Partida em Martim Moniz, o experiente 28 desliza suave pelos trilhos e me embala até a Graça, numa bela manhã de outono. Patrono, na direção do Mosteiro de São Vicente de Fora, o elétrico chacoalha um bocadinho, diante de tamanha beleza.

 

Desço sem demora seduzida pela arquitetura do lugar. O imponente monumento de construção clara instiga pelo equilíbrio harmonioso das formas, na roupagem maneirista e singela. Monastério com ares humanistas e suas chancelas. No frontal do edifício, logo se vê três arcos de volta perfeita, sobrepostos por três nichos de belos arremates. Seria um disparate não considerar, a beleza do altar da capela-mor, encomendado por D. João V: se vê esculturas em madeira de S. Vicente, Santa Mônica, Sto. Agostinho e S. José, além de  S. Sebastião, S. Frutuoso, S. Teotônio e a Virgem. Valham-me santidades! Na portaria, belos azulejos alusivos à tomada de Lisboa e Santarém.

 

Depois de um amém, atrás do mosteiro, cheguei ao Campo de Santa Clara que, apesar da santidade, não impediu que, terças e sábados, se realizem a Feira da Ladra, onde se compra e vende de tudo. Quando me apercebo, o bonde vem em minha direção e, pelo sorriso do condutor, minha primeira gafe com louvor. Ao subir, sorriu e me disse: pra que o embaraço de esticares o braço, não há parada que deixe, ah esses turistas! Sorri de volta, sem demora porque, lá fora, impacientes, outras gentes esperavam acesso. Ajeitei-me no banco de madeira e parti contente para a Alfama, queria me perder nas suas vielas e histórias paralelas, para viver a minha própria: Alfama é um alegre achado!

 

As ruas e praças, em estilo medieval, abrem um portal no tempo, para quem tem olhos de ver. Enquanto me entranho neste labirinto medievo, paro e descrevo a sensação de estar ali: sou uma folha ressequida pelo sol calorento, mas revigorada pelos ventos marítimos. Alfama tem o ritmo de um coração fadista, que não distingue turista ou nativo. Apenas sobrevive às mudanças dos séculos, preservando sua identidade e canções. Bairro festivo a desvendar, somente, aos mais atrevidos e resistentes. Suas infindas escadas e vielas, inclementes, revelam uma jóia incrustada e a melhor das recompensas: sardinhas assadas, vinho e fado!

 

crônica de Samara Porto - Lisboa - Set/15

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