Entrevista Gui Moreira Jr. - Livro Recíproco.





Hoje conversamos com Gui Moreira Jr, autor do livro de poemas Recíproco, que será lançado pela Laranja Original no dia 4 de novembro. O evento será ao vivo, a partir das 19h, pelo canal do YouTube da editora (basta clicar aqui). O Gui é carioca, formado em História e apaixonado por Cinema e Música. Morou em Portugal, onde publicou dois poemas em coletâneas. Recíproco é o seu segundo livro, depois da publicação de Memórias crônicas de um coração.



Gui, seus poemas trazem temas como afeto, solidão e amor de uma maneira em que fica fácil o leitor se identificar. Notamos ser um processo de autoconhecimento. Escrever para você é uma maneira de se autoconhecer?


Sim, sem dúvida experimentá-los de outra forma, mas também de entender em que lugar me encaixo nessa vida. Eu estou sempre aprendendo e me reconhecendo em qualquer coisa que eu escreva. A escrita se formou para mim como uma terapia – onde posso trabalhar os meus sentimentos e reflexões e não só experimentá-los de outra forma, mas também de entender em que lugar me encaixo.


O livro abre lindamente com:


“o amor é também

um monte de coisas

que você nunca confessou

ou mostrou até conhecer alguém”.


Fazer poesia nos tempos de hoje é um ato de amor?


É um ato de amor e também de resistência. Não necessariamente de resistir num cunho mais amplo, vejo o resistir no sentido de pessoa física mesmo, individual. Quando você emana amor para si primeiro, é que você se enxerga capaz de transbordar amor para qualquer pessoa.





Como foi o processo de escrita de Recíproco?


Foi muito gostoso. Eu já tinha alguns versos guardados mas a maioria surgiu depois, enquanto eu montava o livro. Foi bem natural para mim, visto que eu já tinha a ideia de escrever mais poesias e fazer um livro posteriormente ao primeiro que publiquei.



Você contou que escreve desde a adolescência. Como a poesia apareceu em sua vida e quais são as suas principais influências?


Às vezes acho que a poesia apareceu na minha vida de forma totalmente aleatória, só que eu já tinha uma ligação com ela através de filmes e músicas. Eu era interessado em falar de amor antes mesmo de entender os vários significados disso. Daí na adolescência, numa aula de literatura, foi que tudo se revelou aqui dentro do peito. De influências, acho que o primeiro contato aconteceu com William Shakespeare. Eu li Romeu & Julieta e algumas outras obras dele quando tinha uns 13, 14 anos. Depois veio Pablo Neruda, Vinicius, Clarice Lispector. Felizmente, hoje tem tanta gente boa escrevendo. Todos me influenciam um pouquinho, principalmente escritoras como a Ryane Leão e uma grande amiga minha que ainda vai ser muito conhecida, a Maria Gabriela Verediano – escreve textos maravilhosos. Muito fã dela.



Em um dos seus poemas você diz: “O amor é um salto de responsabilidade”. É interessante a abordagem sobre a responsabilidade afetiva na sua escrita, pois o tema é importante e pouco falado na poesia. Conte para a gente sobre isso.


Sim, demais. Acho que o amor não é só chegar no ponto de dizer que ama alguém. É uma construção diária e a cada encontro, e ter esse senso de responsabilidade é importante. Não é deixar de dizer as coisas ou se privar do amor, da sensação deliciosa que ele provoca, mas de entender o que ele representa naquele momento. É poder ser intensidade, mas sem o descontrole e posse que muitos confundimos com o amor.


Um dos poemas de que mais gosto em Recíproco é “O amor é jazz”. Qual é a importância da música em sua vida e como ela interfere em sua escrita?


Eu adoro muito esse poema. Tenho um carinho enorme por ele por causa dessa inspiração do estilo musical. Eu escuto música o tempo todo. Sempre que posso consumo sons diferentes. Música é alimento para a alma e o coração. Tenho playlists para escrever, para pensar e às vezes apenas esboçar algo na minha cabeça - que nem sempre acabo escrevendo, mas que me conforta naquela ocasião específica.


Gui, cite aqui para gente um dos poemas de que você mais gosta em Recíproco e conte sobre o processo criativo dele.


Ah! Gosto bastante de “Gozar é uma escolha”. Gosto quando escrevo poemas safados e ao mesmo tempo interpretativos. Eles podem ser transformados, dependendo da intenção, do sentimento, sabe? E sem contar a importância de quebrar esse tabu de falar e escrever sobre sexo. O sexo não é uma coisa suja, imoral. Ele faz parte do ser humano e tem muito amor e intimidade no ato. É sempre como você se coloca, se enxerga e se disponibiliza para essa entrega.


Você morou em Portugal, lugar bem conhecido pela comida e pela poesia boa. Como foi estar na terra de um dos maiores, Fernando Pessoa?


Realmente tem uma energia completamente diferente quando você está numa cidade, num país que tem vários berços poéticos para se inspirar. Lógico que aqui no Brasil não é menos por isso, pelo contrário, só é diferente quando se migra para um lugar desconhecido, com planos e ares diferentes dos que você cultivava em casa.


Gui, você também nos contou que adora Cinema. Conte para gente qual é o maior filme-poesia que já assistiu.


Eu sempre vou citar Casablanca, acho (risos). Eu considero o melhor e o mais romântico filme de todos os tempos, ainda que o final dele não seja como um comercial de margarina. Tem uma potência e uma legitimidade gigantesca no amor que flui por um tempo, no amor que é para sempre até não ser mais.


Gui, agradeço a sua entrevista. Que Recíproco lhe traga muitas realizações e alegrias. Deixe por aqui o seu contato, suas redes sociais e links onde o leitor possa te encontrar.


Imagina, eu agradeço de forma recíproca e o carinho, a atenção e a visibilidade para transbordar o meu trabalho. Eu literalmente escrevo porque é o que me sacia, me dá um estado de espírito genuíno de paz. Então, ter a sorte e vulnerabilidade de poder fazer isso e inspirar outras pessoas, nada supera essa energia. Obrigado mais uma vez! Abraços!


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