Ao mergulhar neste encantador livro híbrido (pequenas prosas poéticas/poemas; metade humana/metade peixe) me senti navegando por espécies de cartas. Cartas escritas à mão, enviadas a barco a um amante-amigo do outro lado do Atlântico, relatando os dias com suas dores e maravilhamentos; cartas-desabafos a uma amiga sobre as maldições que assolam as mulheres que ousam seguir sendo livres e insubmissas; cartas-conversas com o filósofo-profeta do século XIX contando que suas previsões sobre os caminhos da humanidade seguem fervorosas nesses nossos antinaturais dias.
Cartas-testemunhos de uma mulher náufrada, que andou pela vida ateando fogo em embarcações que lhe oprimiam o corpo, a alma, as danças e vociferando suas verdades em faces masculinas. Uma mulher náufraga sobrevivente, resistente, carregando bússolas confusas e âncoras quebradas, construindo suas próprias ilhas, seu autorresgate. E que deposita bilhetes enrolados — de amor-próprio, de encantamento pela vida — em garrafas de vidro a serem jogadas num mar do futuro.
Beatriz nos deixa todos esses recados, lembranças, guianças, que me fizeram ouvir os ecos de uns versos de Alejandra Pizarnik: “explicar com palavras deste mundo/ que partiu de mim um barco levando-me”.
(do prefácio de Clara Baccarin)
FICHA TÉCNICA
Poesia
Páginas 80
Formato 13 x 18 cm
ISBN 978-65-5312-029-7
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R$50.00Preço
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