Se, para Octavio Paz, “o poema nos revela o que somos e nos convida a ser o que somos”, Carol Sanches nos convida a tomar consciência da máquina — o coração-bomba — que operamos em nós. Sua poesia “testa o limite/entre dor e alívio”, “aprisiona o instante” de um coração que bombeia versos sobre o mais visceral do que significa ser e vir a ser. Carol caminha entre o limiar do que fomos, somos e almejamos nos tornar; nas sutilezas entre olhar e ver, chegar e partir, viver e morrer, a
poeta nos chama para a necessidade de entrarmos em movimento, ainda que isso nos doa. Se há “toda a brutalidade do poema”, em Coração-bomba há toda a brutalidade da experiência.
Carol Sanches nos apresenta um corpo tátil, palpável, mortal — o coração — e também um corpo-poesia — imaterial, metafísico, perene. Esse corpo-coração percorre diversos caminhos: o da natureza, dos bichos, dos insetos, das plantas e flores; o familiar, das filhas, dos pais, dos amores interrompidos; e o do coração-órgão em si, essa bomba que Carol procura desvendar e revelar não só para si mesma, mas também para quem a lê. Se “tudo que tá fora, tá dentro” e “tudo que tá dentro, tá fora”, é certo que caminharemos não só pelo mais íntimo da poeta, mas também pelo mais íntimo de nós mesmos.
Camila Paixão
FICHA TÉCNICA
Poesia
Formato 16 x 23 cm
Páginas 96
ISBN 978-65-5312-046-4
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R$ 55,00Preço
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