Publicado originalmente em 10 de abril de 1859, na Revue Française, com o título “Les Voyageurs”, este poema foi escrito no porto de Honfleur, na Normandia, enquanto Baudelaire se recuperava da saúde e das finanças abaladas na casa da mãe, a maison Jou-Jou.

“Le Voyage” seria o último poema (CXXVI) da edição de 1861 d’As flores do mal, revista pelo autor.

 

Nota do tradutor - Alexandre Barbosa de Souza

 

Quando li pela primeira vez “Le Voyage”, eu ainda nao sabia francês o suficiente para entender muito bem – apenas acertava a pronúncia pelas rimas e pelo ritmo, perfeitos, do original. Depois ouvi franceses dizendo o poema e fui percebendo melhor as ênfases e os tons de suas oito partes. Dizem que Baudelaire o declamava espasmodicamente, alternando as vozes dos viajantes, e a misteriosa voz do final – ou terei sonhado isso, assim como sua identificação com Orestes e Hamlet?

As traduções disponíveis (Jamil Almansur Haddad e Ivan Junqueira) eram bonitas, mas me pareciam um tanto forçadas pela forma fixa, muitas vezes obscurecendo as imagens e alusões, que passei a anotar e colecionar ao longo dos anos. Todas as imagens deste livro, alegóricas como o texto de Baudelaire, encontram-se hoje em domínio público na Wikimedia Commons, são reproduções de fotografias do século dezenove, ilustrações de almanaques e livros, mapas, selos, estampas antigas, croquis, esbocos, coisas de sebo. Inspirado no Livro das Passagens de Walter Benjamin, pensei este livrinho como uma sessão de  diapositivos coletiva, para um grupo de leitura da íntegra d’As flores do mal, que fizemos na minha casa no início do século (Fabrício Corsaletti, Iuri Pereira, Cide Piquet, Chico Mattoso, Paulo Werneck, Rodrigo Lacerda, Sérgio Alcides, Érica Zíngano, entre outros mais erráticos), reunidos em torno de uma mesa de ping-pong. Não chegamos nunca a fazer a leitura que sempre sonhei: a cada estrofe, uma voz diria apenas o texto do poema traduzido literalmente (as páginas ímpares, da direita), enquanto as imagens seriam projetadas (como fantasmas ou marcas-d’água), e outras vozes fariam, a seguir, os comentários mais livres que lhes ocorressem (as páginas pares, da esquerda). Aos meus semelhantes citados, companheiros de uma sessão futura, dedico este modesto programa.

A Viagem

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